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2ª Versão do TCC

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Saved by Mara Tavares
on September 18, 2010 at 4:25:36 pm
 

Arquiteturas Pedagógicas: As relações construídas no processo de aprendizagem mediado por computador. 


1  Construindo uma Teoria 

Ingressei como aluna do curso de Pedagogia à Distância da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (PEAD/UFRGS), em 2007 e trabalho no Laboratório de Informática de uma Escola Estadual da Zona Sul de Porto Alegre, desde 2006; espaço onde realizei o estágio docente em Pedagogia no primeiro semestre de 2010, atendendo oito turmas de séries iniciais, de 1º ano à 4ª séries, no turno da tarde. Com todas as turmas desenvolvi atividades e projetos com  Arquiteturas Pedagógicas.

Durante esse período, pude observar uma confusão crescente a respeito do uso das tecnologias na Educação, e uma quase negação desses usos, dentro do espaço escolar. Penso que muito se deve a falta de informação e a desarticulação entre teorias de aprendizagem e a prática docente.

Parece audacioso uma aluna de graduação pretender preencher essa lacuna, tendo em vista as muitas produções teóricas, de estudiosos renomados, que realizam essa articulação.

Entretanto, a articulação proposta nesse trabalho é diferente, pois caminha em sentido inverso, não é uma teoria que se põe em prática, mas uma prática que se teoriza a partir do estudo de caso de uma das turmas de estágio, turma 43, 4ª série, cuja observação encaminhou à pesquisa a fim de descobrir qual, ou quais, maneiras o processo de aprendizagem é melhor realizado. Em Informática Educativa, muito se fala da aplicação das novas Arquiteturas Pedagógicas para realizar de maneira mais efetiva o processo, mas constantemente, escuto de professores de outras áreas a pergunta: - "O que é Arquitetura Pedagógica?"

Nada melhor do que vivenciar através da observação, pesquisa e interação proporcionado pelo projeto de trabalho, destinado a criação de blogs individuais para postagens de Língua Portuguesa, desenvolvido com essa turma, para definir o que são Arquiteturas Pedagógicas; relacionar qual a ligação entre a aprendizagem e o aumento da auto-estima, o comprometimento com o aprender e com a mudança na qualidade dos relacionamentos entre alunos e entre alunos e professores; analisar os diferentes comportamentos dos alunos diante dos desafios propostos pelo uso do computador; e, identificar em quais situações de ensino/aprendizagem a construção do conhecimento ganha maior significado para o aluno; a fim de responder com clareza - Como as Arquiteturas Pedagógicas influenciaram ou podem influenciar no processo ensino/aprendizagem? (grifo nosso)- e poder teorizar sobre qual prática realiza melhor esse processo para alunos e professores.

Para situar o leitor desse trabalho, a pesquisa começou a ser realizada durante o período de estágio, com o propósito de, ora esclarecer como se dá o processo de aprendizagem, ora ajustar métodos e ações mais adequadas a fim de favorecê-lo e, para explicar a reação dos alunos frente ao seu próprio processo de aprendizagem, mediado por computador. Pesquisa essa que encaminhou a organização e a maneira como será apresentado.

No capítulo dois, descrevo a proposta de trabalho que se intitulou “Caderno Virtual”, com a turma 43, a parceria com a professora Titular e a metodologia adotada para o desenvolvimento desse Trabalho de Conclusão.

No terceiro capítulo, busco definir as Arquiteturas Pedagógicas, visto não se tratar de apenas uma, ou de uma metodologia, e sim de um conjunto de ações variadas combinando elementos; como diferentes estratégias; uso de ferramentas de apoio à cooperação; dinâmicas de grupo; softwares; Internet; etc.; que, combinadas, como suportes estruturantes dão apoio direto à aprendizagem, na vivência e na realização das próprias tarefas.

No quarto capítulo, analiso as mudanças de postura dos alunos, seu envolvimento, as ações adotadas e os resultados construídos no desenvolvimento do Projeto de Trabalho “Caderno Virtual”, à luz dos autores estudados durante o curso de Pedagogia à Distância, Vigotisky e Maturana, Papert e Spiro, e Piaget. Para os autores, a linguagem, o meio e as relações sociais são os constructos da nossa personalidade e, ao mesmo tempo, os elementos que irão influenciar por toda a vida como aprendemos.

Entre as teorias sócio-interacionistas é consenso que só construindo uma linguagem específica do nosso meio sociocultural, podemos interagir no e com o meio; as relações sociais transformam radicalmente os rumos do nosso próprio desenvolvimento e a linguagem dá a dimensão social na construção do sujeito psicológico. Ao mesmo tempo em que a cultura e a linguagem influenciam as relações sociais, ocupam um papel importante no desenvolvimento intelectual da criança e na qualidade do processo de aprendizagem. (VIGOTISKY; MATURANA, 1998).

O uso das novas arquiteturas pedagógicas, com essa turma, permitiu o desenvolvimento das competências cognitiva, afetiva e relacional, expressa na colaboração para organizar as informações e solucionar os desafios propostos, para a resolução de problemas usando o computador. Os alunos colocaram em prática as habilidades de observar, analisar, agir, descobrir, debater, aplicar e generalizar sobre os conhecimentos que estavam construindo. Nesse processo todos mudaram sua conduta frente à própria aprendizagem, porque na interação homem/máquina, não há constrangimento perante o "erro", pois errar faz parte do processo de ação/reflexão/depuração/ação que realizaram durante a construção do conhecimento. 

A aprendizagem é significativa no momento em que o aluno percebe a utilidade e aplicação daquilo que aprende. No caso da Informática Educativa, essa significação ganha duplo sentido, na medida em que, o aluno aprende interagindo com a máquina e com seus pares, utilizando esses novos conhecimentos para fazer intervenções cada vez mais complexas.  Mesmo sentando sozinhos, pois o trabalho individual, no computador, foi necessário durante esse Projeto de Trabalho, os alunos não realizaram um trabalho isolado estiveram sempre interagindo, dando dicas ou suporte, uns aos outros. Interações nascidas, naturalmente, na necessidade de socializar suas descobertas. O trabalho com as Arquiteturas Pedagógicas dá aos alunos a oportunidade de refletir sobre suas ações de maneira independente; de agir em conjunto com seus pares organizando as informações, com base em suas experiências anteriores, somadas, para resolver o desafio proposto pela máquina, pelo professor ou por eles mesmos, desenvolvendo a capacidade de aprender a aprender (SPIRO & JEHNG; PAPERT, 1990, 1994).  

Para Piaget (1976, p.? ), a adaptação está na base do funcionamento intelectual e do funcionamento biológico, condição para a aprendizagem. A adaptação e a organização são processos diferentes e complementares que fazem parte do mecanismo de equilibração. Da mesma forma que a assimilação e a acomodação, situação em que a criança integra elementos novos às suas estruturas cognitivas existentes, que podem ser, mais ou menos, modificadas sem, contudo, serem destruídas, acomodando-as de maneira contínua. Em outras palavras, a acomodação é toda modificação dos esquemas de assimilação sob a influência de situações exteriores, o meio. O que explica o desenvolvimento intelectual da criança, a construção da autonomia, da aprendizagem e o aumento da alta-estima e permite o planejamento de atividades para a construção de aprendizagens cada vez mais complexas com o uso das Arquiteturas Pedagógicas.

No capítulo cinco, justifico os usos das Arquiteturas Pedagógicas para a construção de aprendizagens mediadas por computador e a elaboração de um planejamento flexível, que adote para o professor o mesmo caminho que o aluno percorrerá em suas construções, pois seu principal papel, enquanto educador, é ensinar o aluno como aprender a aprender, por toda a vida, mesmo depois que deixe a escola.

... continua...


2  Caderno Virtual 

 

2.1 Planejando o Caminho 

A opção pela pesquisa qualitativa, em forma de estudo de caso, nasceu do desejo de entender como as Arquiteturas Pedagógicas influenciam no processo ensino/aprendizagem dos alunos do Ensino Fundamental, a partir do projeto de trabalho desenvolvido com uma turma de quarta série, para a construção de blogs individuais, espaço destinado como portfólio de aprendizagens em Língua Portuguesa, realizado durante o Estágio Docente em Pedagogia à Distância, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (PEAD/UFRGS).

As estratégias adotadas durante a realização desse trabalho foram a observação da turma, com apontamentos e filmagens a cada encontro, registrados no PBWorks do Estágio, http://mararosaneestagio.pbworks.com e no canal do YouTube, http://www.youtube.com/user/superbichado, e a elaboração de uma enquete com a finalidade de refletir como cada aluno aprende dentro do grupo, em relação ao trabalho realizado.

Na primeira parte desse Trabalho de Conclusão, portanto, descrevo todas as ações realizadas no desenvolvimento do projeto com a turma, e na segunda, busco fazer uma análise dessas ações, à luz dos aportes teóricos, a fim de encontrar respostas à questão levantada.

 

2.2 Contextualizando o Caminho 

O trabalho com Informática Educativa nessa escola está previsto pelo Regimento Escolar, é desenvolvido em conjunto e acompanhado pelo professor titular da turma ou responsável pela disciplina. Além dos conteúdos, planejados pelos responsáveis das turmas, a Sala Ambiente de Informática (SAI) desenvolve projetos de aprendizagem, de maneira autônoma ou em parceria com as disciplinas, sempre com enfoque interdisciplinar. É incentivado e estimulado pela Equipe Diretiva da Escola, que não poupa esforços em adquirir recursos e promover a construção de conhecimentos para o uso das Novas Tecnologias e o emprego das novas Arquiteturas Pedagógicas na aprendizagem dos seus alunos, formação dos seus professores e em sua rotina escolar.

O principal objetivo durante o estágio foi proporcionar, aos professores e alunos dessa Escola, o uso de Arquiteturas Pedagógicas para a construção de conhecimentos mediados por computador, fazendo uso dos projetos permanentes, dos propostos pelos professores ou desenvolvidos pelos próprios alunos e, assim, ampliar as possibilidades de uso da tecnologia, para construir, em parceria, uma nova cultura escolar.

As temáticas, para o desenvolvimento dos planejamentos com as oito turmas, foram fornecidas pelos Professores titulares, quase todas com tempo determinado, de um a três períodos e não sendo restritos a SAI. Nos casos em que não houveram indicações foram seguidos os projetos existentes no laboratório e desenvolvidos novos, a partir da interação entre os professores, alunos e a SAI.

As atividades e projetos contemplaram a integração curricular entre Comunicação e Expressão; Estudos Sociais; Estudos da Natureza e Matemática. Os conteúdos foram determinados de acordo com o currículo desenvolvido pela escola para cada ano/série; de acordo com o planejamento do professor e de acordo com as dúvidas e certezas dos alunos sobre os temas escolhidos para a construção de novos projetos.

A avaliação foi realizada no decorrer das aulas, durante o desenvolvimento das atividades. Feita por meio de comentários escritos e verbais com o objetivo de pontuar as ações que deveriam ser retomadas, através dos questionamentos e ressignificações dos resultados alcançados; na reflexão sobre as ações e retomada destas; na análise dos resultados produzidos e no levantamento das opiniões obtidas por enquete, para atender aos objetivos planejados pelo professor, pelos Projetos da SAI ou pelas Arquiteturas Pedagógicas adotadas; considerando, além dos conhecimentos construídos, o desenvolvimento das competências nos campos cognitivo, afetivo e relacional.

As aulas foram planejadas seguindo três critérios: Assuntos solicitados pelo professor titular, para sistematização e continuidade de temas abordados em sala de aula; solicitações de atividades que desenvolvessem competências específicas e nenhuma exigência quanto às atividades desenvolvidas na SAI. Esse último critério encaminhou o planejamento para utilização de Arquiteturas Pedagógicas, a fim de alcançar os objetivos e a construção de competências traçadas pelo Projeto do Estágio e por cada planejamento, em particular.

Para as turmas que as professoras não solicitaram planejamento, foram desenvolvidas atividades de Linguagem, Matemática, Desenvolvimento do Pensamento, Percepção, Interpretação de Fenômenos e Coordenação Motora. Criação de Histórias em Quadrinhos, online e desenhos livres ou dirigidos com o software Tuxpaint. Foram planejadas, a pedido das professoras de primeiro e segundos anos, atividades que contemplassem a dinâmica de aprendizagem do Projeto Alfa e Beto, adotado pela Escola; e, uma atividade específica com uso, leitura e interpretação de mapas, para a quarta série, turma 43.

Muitos conhecimentos podem ser construídos através do uso de jogos e softwares lúdicos, permitindo que o aluno, além de desenvolver as habilidades desejadas para a socialização, possa também desenvolver de maneira integrada o raciocínio lógico, a interpretação de fenômenos, da realidade e a construção de conceitos referentes às diferentes áreas do saber.

Todos os projetos realizados na SAI têm a intencionalidade de construir habilidades e competências sociais e cognitivas, nas áreas da linguagem; da pesquisa; do desenvolvimento da acuidade visual e auditiva, atenção e prontidão; interpretação, compreensão e colaboração para resolver diferentes problemas que, além de específicos, colaboram para a construção da cidadania.

 

2.3 A Caminhada 

O projeto de Trabalho "Caderno Virtual" nasceu da interação entre os professores, alunos e a SAI durante as atividades iniciais do estágio. Ele compreende uma arquitetura diferente porque o espaço para  aprendizagem é virtual, o blog. A proposta aconteceu ao fim da segunda aula, quando expliquei aos alunos que para preencher campos fornecidos  pelos sites, o computador só aceitava dois tipos de linguagem: o Português, com letras maiúsculas e minúsculas, em seus lugares devidos, acentuação e pontuação adequada e espaços entre as palavras. E, o Internetês, palavras escritas em letras minúsculas, sem espaço entre as palavras, pontuação ou acentuação, com seus símbolos próprios, como arroba, underline e hífen.

Nasceu então, uma contraproposta por parte dos alunos, criarem um dicionário onde pudessem diferenciar o Português, o Internetês e o "Analfabetês"; segundo eles, o analfabetês é a língua que a pessoa usa quando não domina nem o Português, nem o Internetês.

Discutimos a proposta com os alunos para encontrar a maneira de publicar esse dicionário, foi unânime a escolha do meio: a Internet. Passamos a discutir os detalhes: trabalho individual ou em grupo. A escolha recaiu sobre o trabalho individual e, para realizá-lo, o espaço mais indicado seriam os blogs.

Para a construção dos blogs, foi preciso criar e-mails no GMAIL, tarefa difícil em função do Google acusar um único IP para os dezoito computadores do Laboratório e pela dificuldade de ler e interpretar as ordens dadas pelo site. Construir essa competência tomou três semanas, mesmo com os alunos se disponibilizando para virem em turno inverso e tentando criá-los, sozinhos, em casa. Por outro lado, foi uma experiência de aprendizagem muito rica e divertida para todos.

O próximo passo foi a criação dos blogs, não menos problemático do que a criação dos e-mails, pelas razões citadas acima. Para os blogs, foram destinadas quatro semanas.

As dificuldades apresentadas reforçaram a idéia do dicionário, dando origem às duas primeiras tarefas do "Dicionário Virtual", que aconteceu paralelamente a criação dos últimos e-mails e dos blogs. Na medida em que os blogs iam sendo criados, os alunos iam postando as primeiras tarefas, que consistia em selecionar imagens de tabuletas com erros ortográficos e realizar a análise da língua, correção e adequação da escrita alterando-a, quando necessário, sem alterar o sentido; essas ações representaram as duas primeiras tarefas no Projeto de Trabalho.

As dificuldades também influenciaram as mudanças metodológicas para a instrução dos passos necessários à criação e utilização dos blogs. A orientação começou verbalmente; mais tarde adotou-se a visualização de cada etapa, com o uso de data show. Entretanto, muitos alunos que já haviam feito e-mails, na primeira etapa, e construído o blog invalidaram suas senhas, em função de as escreverem erradas ou com a tecla Caps Lock ativada, necessitando recuperação, conforme apresenta o cronograma de atendimento da Turma 43 no ANEXO 1.

Por fim, para vencer essas dificuldades, optou-se pelo recurso de um mini-tutorial escrito (ANEXO 2). Sua adoção permitiu a alteração das posturas de não envolvimento com as atividades, que alguns alunos adotaram, por terem vergonha da exposição ao serem auxiliados por colegas mais experientes, ou em dizer às professoras que não entendiam como executar as ações. Atitude que impediu a entrada no blog e o próprio trabalho com o computador na fase inicial.

Outra medida adotada para lidar com as dificuldades apresentadas foi a preparação dos alunos que estavam mais adiantados como monitores, para auxiliar os colegas que apresentavam maior dificuldade, ação que atingiu resultados positivos na sequência do desenvolvimento da segunda tarefa do projeto.

A primeira tarefa desenvolveu-se paralelamente a criação dos e-mails e dos blogs, consolidando-se como "Dicionário Virtual" na segunda tarefa, onde os alunos proporam mostrar as diferentes linguagens: a falada no mundo real, com suas sutilezas, como as gírias, até o "analfabetês" - conforme fala dos alunos - e as diferentes linguagens usadas no mundo virtual, em scraps, fóruns, chats, redes sociais, etc. A partir dessa proposta, começamos a planejar. Por sugestão dos alunos, a tarefa consistiu em selecionar imagens de tabuletas com erros ortográficos e realizar uma análise da língua, correção e adequação da escrita alterando-a, quando necessário, sem alterar o sentido; essas ações representaram as duas primeiras tarefas. 

Na penúltima semana de estágio, essas observações foram comprovadas por meio das respostas a uma enquete, que apurou qual das maneiras de instrução os alunos haviam se identificado mais, presente no ANEXO 3 - Enquete sobre o uso de tutorial. 

Dos vinte e oito alunos que responderam a enquete, treze apontaram Entendo melhor seguindo o tutorial, sozinho, e pedindo ajuda para a professora ou um colega, se precisassem. Representando quarenta e cinco por cento da turma, os demais resultados encontram-se divididos entre as sete opções restantes, conforme ANEXO 4 - Resultados da Enquete sobre o uso de tutorial.


3 ARQUITETURAS PEDAGÓGICAS:

O que são? Como Usá-las? Porque usá-las?

 

As Arquiteturas Pedagógicas compreendem um conjunto de ações educacionais que podem ser desenvolvidas em atividades simples na sala de aula ou no Laboratório de Informática (LABIN); com projetos de aprendizagem, projetos de ensino, estudo, ou em projetos de trabalho; com ou sem uso das tecnologias digitais, para apoiar a construção de aprendizagens. São diferentes metodologias, estratégias e instrumentos que se unem, convergindo com este único objetivo, na dinâmica do processo de ensino/aprendizagem.

Ao longo da história, muitos educadores vêm buscando aproximar os métodos de ensino da maneira como a criança aprende. John Dewey observou que as crianças aprendem melhor quando a aprendizagem faz parte da sua experiência de vida; Freire defendia que, se as crianças se encarregassem de seus próprios processos de aprendizagem, aprenderiam melhor; Piaget investigou como acontece o processo evolutivo da inteligência e a influência dos fatores externos e internos, que precisam de tempo para ser acomodados e equilibrados, na aprendizagem da criança; Já para Vygotsky, a conversação desempenha um papel crucial na aprendizagem (PAPERT, 1994. P.21).

Historicamente, todas essas idéias, embora levem em consideração o processo mental da criança, mostraram que sozinhas são incapazes de resultar na elaboração de uma metodologia  que sustente o processo de ensino aprendizagem, mesmo assim, os educadores continuam buscando alternativas que apóiem o processo, embasados por essas teorias.

Com a evolução da tecnologia e seu uso cotidiano nos lares, fábricas, escritórios, comércio, bancos, etc., muitos educadores deslocaram o foco, antes centrado na metodologia, para o uso dos instrumentos hipermidiáticos. Instrumentos como os computadores, a Internet e celulares com câmera, por exemplo, são usados por esses educadores, unindo novas e antigas estratégias, para melhor explorar os usos da tecnologia no processo de ensino/aprendizagem.

Carvalho, Nevado e Menezes (2005), propõem o termo Arquitetura Pedagógica (AP) para definir esses usos, cunhando um conceito novo que une os instrumentos tecnológicos a diferentes estratégias numa prática pedagógica mais flexível. Segundo os autores,

 

 [...] uma combinação de estratégias, dinâmicas de grupo, softwares educacionais e ferramentas de apoio à cooperação, voltadas para o favorecimento da aprendizagem.  Essas arquiteturas, independente de sua natureza, usando ou não a tecnologia digital, irão sempre requerer a utilização de objetos de aprendizagem. A concepção adequada desses objetos tem implicações diretas na construção do  conhecimento pelos estudantes. [1]

                                                  

Tanto nas ações com uso de tecnologia, no caso computadores, filmadoras, máquinas digitais, celulares, etc., como nas ações sem o uso de tecnologia, a AP compreende a produção de um objeto que represente a síntese do trabalho de pesquisa, levantamento de hipóteses, trabalho colaborativo e autoria nas aprendizagens realizadas ao longo do processo. Assim como a apresentação dos resultados poderá ser feita com outros recursos, que não os midiáticos, para exposição desses objetos.

Em ambos os casos, parte-se de um problema, um desafio, que seja significativo para cada grupo de alunos, serão orientados a fazer o levantamento de suas dúvidas e certezas sobre o assunto escolhido, unirão esforços para realizar as ações necessárias, para encontrar respostas satisfatórias ao desafio proposto, que pode ter partido do próprio grupo, a partir da curiosidade, da proposição do professor sobre questionamentos apresentados, ou de uma necessidade legítima da turma. As ações que serão realizadas para dar resposta ao desafio podem envolver pesquisas em mídias eletrônicas ou em portadores de informação convencionais, como livros, revistas, etc.; entrevistas; enquetes; observações, entre outros recursos. Naturalmente,  os alunos depurarão as informações necessárias para construir o conhecimento sobre o que querem descobrir e apresentar. A apresentação pode acontecer em forma de texto, cartazes ou folders, ou até mesmo na forma de um boneco, por exemplo, se for material. No meio virtual, pode se concretizar na forma de postagem de textos ou hipertextos, de vídeos, animações, etc., sendo construído para isso, uma página na Internet, um blog ou outro espaço que abrigue a representação da caminhada, das descobertas, ou seja, a construção das aprendizagens sobre o assunto escolhido e os campos do saber relacionados a escolha.

Notem que, para isso, várias práticas devem ser favorecidas, concomitantemente; práticas que realizadas sozinhas podem não ser significativas e alcançarem o resultado esperado, enquanto metodologias isoladas; mas que podem ser unidas como Arquitetura Pedagógica para criar uma escola baseada na soma dos princípios gerais de todas elas.

O "método da descoberta", por exemplo, pode ser usado pelos alunos em seu processo de busca, sozinho ele é um passo pequeno na direção do sonho de Dewey, porém, em uma situação onde os alunos tenham que unir diferentes estratégias pessoais, a fim de resolver um problema cotidiano, faz toda a diferença para realizar a visão de crianças aprendendo com a experiência e responsáveis por sua própria aprendizagem, como nas idéias de Dewey e Freire, além de privilegiar a conversação, priorizada por Vygotsky e favorecer a equilibração dos elementos externos e internos que influenciam na construção das aprendizagens, como os apontados na teoria de Piaget. (PAPERT, 1994. P.21)

As Aprendizagens tornam-se significativas, porque surgem da curiosidade natural, da necessidade ou de uma proposta sedutora e são orientadas, pelo professor, para a construção de conhecimentos necessários à vida em sociedade, como a língua, as ciências naturais e sociais, o pensamento matemático, etc., que querendo ou não, fazem parte de nosso dia a dia.


[1]  CARVALHO, M.J. S., 2005, Nevado, R.A., Menezes, C.S., Arquiteturas Pedagógicas para Educação a Distância: Concepções e Suporte Telemático. In: Simpósio Brasileiro de Informática na Educação, 2005, Juiz de Fora - MG. Workshop Arquiteturas Pedagógicas para Suporte à Educação a Distância Mediada pela Internet. http://arquiteturaspedagogicas.pbworks.com/f/Arquiteturas_Pedagogicas.pdf  (último acesso em 17/09/10) 

id. Aplicando Arquiteturas Pedagógicas em Objetos Digitais Interativos http://www.cinted.ufrgs.br/renote/dez2006/artigosrenote/25132.pdf (último acesso em 17/09/10)


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